sábado, 1 de maio de 2010

O momento atual segundo Rick McCallum, produtor da Lucasfilm


Tentei uma tradução dos pontos mais importantes da entrevista.

Jared Abrams editor da Cinema5D news entrevista Rick McCallum produtor da da Lucasfilm durante a NAB 2010.
McCallum vem se interessando pelas HDSLRs desde que foram lançadas e chegou a co-produzir um curta metragem “Skywalker Ranch” com direção e fotografia de Philip Bloom.
Para McCallum a Lucasfilm vê as novas HDSLR como câmeras B, ou seja, em uma produção onde exista uma câmera digital tradicional, as imagens produzidas pelas novas canons 7D. 5D, 1D casam perfeitamente na montagem com as imagens das câmeras de formato mais tradicional como a sony f35. Usam as HDSLR para filmar dentro de espaços apertados como cockpits de aeronaves onde podem fazer ângulos inusitados que nenhum outro tipo de câmera permitiria.
Concordando que está bastante animado com essa nova tecnologia, ressalta que este é um grande momento mesmo para qualquer um que queira realizar um filme. Comenta que as pessoas (produtores) estavam falando em democratização do cinema quando partiram para a captação digital mas que agora, especificamente com estas câmeras, lentes, profundidade de campo, será possível fazer qualquer coisa. "Agora é somente seu talento (ou a falta dele) que evitará que você realize um bom trabalho". Completa a frase comentando que se tratam de câmeras maravilhosas.
Jared pergunta que tipo e marca de acessórios ele acha que funcionam melhor para cinema. McCallum responde que aprecia várias marcas, Red Rock e Zacuto entre outras, e que o importante é que esses novos fabricantes são pequenos e ocupam a periferia da NAB. Não se fica mais esperando pelos grandes fabricantes que só sabem produzir para indústrias que ele compara com a fórmula 1, como Hollywood, e Hollywood tem sido sempre a número dois na adoção de qualquer inovação. "É uma industria baseada no medo, que nunca gostou de mudanças... e a verdade é que ninguém precisa mais deles. Agora qualquer um pode ir lá fora e fazer um filme".
Perguntado se os produtores que estão acostumadas a captar imagens em formatos tradicionais como 35mm e video digital de alta resolução (entenda-se Arri, Panavision, Red, Sony, etc, etc), devem ter medo da tecnologia das HDSLR. McCallum afirma que ao contrário, essas pessoas devem abraçá-la. "No mínimo as HDSLR servirão como segunda câmera para eles mas, e uma vez que elas venham a captar em raw, tudo mudará porque elas passarão de câmeras B para A, e aí é quando as coisas vão esquentar".
Inquirido sobre o que ele acha do movimento criado na blogosfera em torno dessas novas tecnologias. McCallum cita dois blogueiros que se destacaram neste movimento, Philip Bloom e Vincent Laforet e que o que o faz amar esses "rapazes" é que eles aprendem por conta própria e contam a todos o que estão fazendo. Esta foi a forma que ele conheceu ambos, através da web. Eles o ajudaram e ao resto do mundo a entender a forma específica de trabalhar com HDSLR e "isso é o melhor que está a acontecer, é possível aprender com todos...".
Para ele a Canon (Panasonic, Nikon...) imaginaram uma forma totalmente diferente de trabalhar em que o importante é a história a ser contada e não importa se você conta essa história com uma câmera de três,15 ou 100 mil dólares.
Finalizando McCallum elogia a iniciativa do blog Cinema 5D e de todos que através da internet compartilham o conhecimento. Comenta que tradicionalmente todos gostam de usar metodologias clássicas mas que muitos neste momento se sentem a vontade para quebrar velhas formas de produção e dizer - "veja, isso é tudo que temos que fazer..." e hoje para resolvermos nossos problemas não temos mais apenas os fabricantes a quem recorrer, a informação está na mão de todos e em 15 minutos podemos ter respondida uma questão. "Isso é o puro poder da web, dos jovens, deste movimento, e isso tudo é muito excitante para todos nós".

A sony também vai na onda da Panasonic (sensor > 2/3)

Ainda um protótipo mas parece que seguindo os princípios da Panasonic AG-AF100, a Sony desenvolve câmera de video com apenas um sensor de tamanho próximo ao APS-C.



quarta-feira, 14 de abril de 2010

Panasonic AG-AF100 com sensor micro 4/3 - novidade para o fim do ano









Este fabricante se adianta mais uma vez e lança um produto que certamente agradará ao mercado. Trata-se de uma câmera que nasceu do desenvolvimento da HDSLR lumix Gh1 e dos bons resultados obtidos com mesma.



Seu chip sensor micro 4/3 tem tamanho próximo ao APS-C da canon 7D, portanto, trabalha-se com uma profundidade de campo próxima à do Super 35. É possível se acoplar a essa câmera praticamente qualquer lente para 35mm. Seu fator de multiplicação para a lente é de 2x. Com adaptador PL será possível se utilizar inclusive lentes cinematográficas. Esta câmera para mim é exatamente a evolução das HDSLR para um formato mais familiar e adequado à videografia. Não duvido que outros fabricantes venham a copiar a Panasonic neste formato e imagino que se não o fizeram antes é porque estavam testando as possibilidades de captação HD nas SLR.


Alguns dados técnicos:

Sensor: CMOS MICRO 4/3

Saídas: HD SDI e HDMI (sem compressão)

Formatos de gravação: 1080/60i, 50i, 30p, 25p and 24p (native) and 720/60p, 50p, 30p, 25p and 24p (nativo) em AVC/ H.264 Hi Profile AVCHD (max 24 mbps).

Tipo de cartão: SDHC e SDXC (suporta cartões até 64mb para até 12 horas de gravação)

Audio: Duas entradas XLR com +48V Phantom Power, 48-kHz/16-bit dois canais de gravação de audio digital LPCM/Dolby-AC3

Preço estimado: U$ 6000 (isso tudo???)

Lançamento estimado para final de 2010. É aguardar para ver.

Maiores informações em:
http://philipbloom.co.uk/2010/04/11/new-panasonic-m43-camcorder-announced-ag-af100/

domingo, 4 de abril de 2010

Canon 7d ou 5d?

Aviso: Este post está defasado. Considero as duas câmeras ótimas câmeras fotográfica, mas se tratando de video existem bem melhores e mais baratas.

JM amigo e produtor me pergunta:

“...muito se fala que a 5d é bem melhor que a 7d por ser full frame... vc pode explicar melhor isso?”

Vou me ater ao modo de gravação de video desta câmera e já adianto que a resposta não é tão simples uma vez que cada câmera conta com suas vantagens e desvantagens para diferentes usos. Basicamente a canon 5d com seu sensor de 36x24mm é mais sensível à luz que a 7d com seu sensor APS-C (22,2x14,8mm).
Ao desenvolver um sensor, o fabricante deve optar entre colocar mais ou menos pixels por centímetro quadrado. Se optar por mais pixels terá maior definição e menor sensibilidade. Se optar por maior sensibilidade terá então que acomodar no mesmo espaço pixels maiores (mais sensíveis) porém em menor quantidade. Um sensor maior sempre possibilitará uma melhor relação definição x sensibilidade. Lembrando que como estamos nos referindo a uma imagem em HD cada frame no final será exibido com apenas 2 megapixel (1920x1080=2.073.600 = 2megapixel) não importando se a câmera tem cinco ou vinte megapixel.
Outra questão, o foco em sensores full frame é extremamente crítico com lentes a grandes aberturas como f 2 ou f 1.4 por exemplo. Para se trabalhar no modo video onde o movimento da câmera e do objeto podem pedir uma atualização constante do foco, ter uma imagem devidamente focada pode ser extremamente difícil, mais até do que por exemplo, em uma câmera de cinema no formato academy  35mm  cuja área do quadro (21,95x16mm) é bem próxima à dos sensores APSC (22,2x14,8mm) da canon 7d.
Por isso prefiro em muitos casos a adoção da canon 7d em detrimento da 5d, especialmente em nossas produções recifenses. Ainda precisamos treinar melhor nossos foquistas que na grande maioria sequer tiveram contato com foco em 35mm e por isso passam grandes dificuldades na hora do “pega pra capar” no foco das 5 e 7d. Para piorar a situação do foco nas HDSLR, as lentes normalmente encontradas em Recife são autofocus, voltadas para fotografia still portanto inadequadas para o ato de focar manualmente. Infelizmente ainda não inventaram um sistema de autofocus mais eficiente que o ser humano.
Na engenharia de lentes cinematográficas os mecanismos de foco são desenvolvidos para se obter maior facilidade e precisão no acionamento manual. Os assistentes de camera usam tabelas precisas de profundidade de campo, e sabem de antemão exatamente o que estará ou não em foco, independente de olhar no visor da câmera. Existe diferença até se o destino é telona ou telinha.
As câmeras 7d e rebel 550d tem sensores e distância de flange focus compatíveis com praticamente qualquer lente cinematográfica a partir do uso de adaptadores, o que não acontece com a 5d.
Por último mas não menos importante, a 7d grava em: 1920 x 1080 @ 24fps, 25fps, ou 30fps, 1280 x 720 @ 50fps ou 60fps, 640 x 480 @ 50fps ou 60fps. A 5d apenas em 1920x1080 @ 30fps, 640x480 @ 30fps. Recentemente a canon disponibilizou no seu site um firmware que permite que a 5d grave também em 1920x1080 @ 24fps.

Então não digo que uma é melhor do que a outra, digo que a 7d é mais user friendly, tem recursos a mais e é bem mais "em conta" do que a 5d. A 5d por sua vez permite fotografar à luz de velas com um pouco menos de ruído (grão) que a 7d, mas reze para estar em foco. A escolha é sua.
 Diferentes tamanhos de sensores
em relação ao full frame 35mm

sábado, 3 de abril de 2010

Sabíamos que esse dia chegaria...The Great Camera Shootout 2010


Mesmo sendo grande admirador da cinematografia em película, e tendo a sorte de ter realizado vários projetos neste suporte, estou bastante entusiasmado com estas novas tecnologias. 
Neste documentário produzido pela Zacuto, cineastas, produtores, técnicos e diretores de fotografia se reúnem para um comparativo entre as HDSLR (Canon 1d mark IV, 7d, 550d e 5d, Lumix gh1, nikon d3s) e negativo 35mm kodak e fuji. Uma pena não existir uma versão com legendas mas mesmo assim vale uma conferida.

http://www.zacuto.com/shootout

CREDITOS:
Produtor Executivo: Jens Bogehegn
Produtores: Jens Bogehegn, Steve Weiss and Scott Lynch
Diretor da Série Web: Steve Weiss
Diretor de Fotografia: Robert Primes
DP - Color Profiles: Philip Bloom
Editor e designer gráfico: Daniel Skubal
Digerati (digital literati): Gary Adcock
Colorista: Ryan Emerson




Tamanho não é documento

na verdade, quanto menor melhor, especialmente se estamos a falar de câmera. Uma das maiores vantagens das novas cameras HDSLRs é justamente seus tamanhos e pesos reduzidos. Tenho ouvido  diretores e produtores se queixando que as HDSLRs não oferecem a mesma estabilidade na imagem observada nas câmeras de grande tamanho e peso. Tal afirmação é baseada em puro preconceito.
Diretores Mike McCoy e Scotty Waugh no modo motocicleta.
Rudy Harbon com lentes da pesada

Shane Hurlbut operando no modo estúdio / mão em Washington
As pequenas HDSLRs permitem que se capte imagens tão estáveis quanto uma velha arri 35 bl com seus mais de dez quilos. Caso o operador goste de peso existem kits que permitem acrescentar quanto peso se desejar. Leiam o post do blog de Shane Hurlbut ASC.


http://hurlbutvisuals.com/blog/2010/03/15/keeping-it-small/

quinta-feira, 1 de abril de 2010

HDSLR (High Definition Digital Single Lens Reflex)


Vivemos uma revolução na produção audiovisual. Essa revolução está intimamente ligada ao desenvolvimento das câmeras chamada de HD-DSLR ou HDSLR.
Objetos do desejo, as câmeras conhecidas como profissionais eram absolutamente inacessíveis a nós pobres mortais. A alcunha “broadcast” então, elevava seus preços à terceira potência.
Grandes produtoras faziam delas suas principais peças de marketing: - Faça conosco, nós temos a Phony PQP2001b que custa cem mil dolares,  a mesma da Clobo [sic].
Hoje vejo a estupefação de produtores e diretores em torno dessas novas câmeras chamadas HDSLR. Procura-se minimizar suas vantagens comparando-as com antigas câmeras mastodônticas , caras e obsoletas.
Mas eis que com a famigerada crise mundial, alguns fabricantes se viram forçados a lançar seus modelos populares de alta tecnologia e baixo preço que  já desenhavam em suas pranchetas. A idéia é, ao invés de vender cem câmeras que custam cem mil a unidade, vendo um milhão de câmeras por mil. Captou?
Hoje todos podem ter uma câmera capaz de produzir imagens de alta definição. Onde estaria o diferencial então? Minha resposta é: nas pessoas. O que faz a diferença hoje é o olhar e técnica do fotografo, do diretor, do produtor e todos mais que estejam envolvidos no processo. Não importa se essas pessoas são jovens ou idosas, experientes ou não, ricas ou pobres, se elas produzirem as imagens que o mundo deseja então elas que valerão 1.000.000. Não?
Mas nem tudo é perfeito. As HDSLR ainda são mais frágeis, mais sensíveis ao calor, etc. Mas tenho uma sugestão para vc nunca ficar na mão: compre duas.

Post Inaugural

Olá todos, a pedidos de amigos e especialmente de minha mulher,  (que não aguenta mais me ouvir falando para ela de lentes, cameras e afins) volto a ter um blog.
Sou fotógrafo, trabalho como diretor de fotografia. Faço comerciais de televisão, documentários, cinema e o que mais estiver ligado a fotografia audiovisual... Nesse trabalho respondo diretamente pela imagem. Durante a pré-produção estudo o roteiro, tenho reuniões com diretores, técnicos e produtores, passo listas de equipamentos, visito locações, faço mapas e planejamentos etc, etc. Durante a produção chefio minha equipe geralmente composta por assistentes de câmera, eletricistas e maquinistas. Se você vir um filme e adorar as imagens nele contida, o maior responsável é o diretor de fotografia. Se, ao contrário, a imagem estiver uma m... provavelmente o problema é da produção, que escolheu mal o diretor de fotografia. ;-)
Este blog é voltado para assuntos ligados ao meu trabalho. Nele vou expor idéias, resenhas e curiosidades sobre nosso meio, equipamentos, técnicas fotográficas e tudo o mais que me der na telha. Espero que todos se sintam a vontade para comentar sobre essa grande paixão que é a fotografia.

Abraço para todos